Série: Análise Cinesiológica da Musculação - Articulação do Tornozelo

Cinesiologia - Articulação do Tornozelo

Veja a análise cinesiológica do exercício Flexão Plantar em Pé para a Articulação do Tornozelo

O objetivo desta série é ajudar estudantes, professores e outros interessados a compreenderem a devida importância da cinesiologia no estudo da musculação

Ao adquirir essa compreensão, a obtenção de melhores resultados em relação ao treinamento físico são bem maiores.

Os exercícios foram ordenados de acordo com a principal articulação envolvida.


Para essa série, foram selecionados os seguintes exercícios, por seguimento corporal:



A interpretação e organização das análises estão obedecendo os seguintes critérios: 
  • Uma pequena introdução da articulação e musculatura, seguida da caracterização articular; 
  • Descrição do movimento (posição inicial, execução e posição final); 
  • Plano de apoio e o seu eixo; 
  • Envolvimento dos músculos (principal e secundário); 
  • Análise do sistema de alavancas (considerando a musculatura principal como o ponto de referência de força); 
  • Curiosidades sobre o exercício.

EXERCÍCIOS QUE ENVOLVEM A 
ARTICULAÇÃO DO TORNOZELO

Segundo Campos (2000), articulação do tornozelo e os seus músculos correspondentes são fundamentais para o equilíbrio e manutenção da postura do corpo, sendo inclusive importantes bombeadores no retorno venoso dos membros inferiores

Devido a essas características essa região assume importante função nas questões referentes a manutenção da saúde dos membro inferiores, além de forte relação com a estética corporal. 

Por esses motivos com bastante freqüência são indicados exercícios para essa articulação e consequentemente os músculos diretamente ligados a ela como de fundamental importância para o ser humano. 

Flexão Plantar em Pé

Flexão Plantar em pé - Panturrilha em pé
flexão plantar em pé

Aspectos da articulação do tornozelo
Quanto a essa articulação Thompson e Floyd (1997) afirmam que ela seja constituída pelos seguintes ossos: Tálus, Tíbia Distal e Fíbula Distal. Esta é também conhecida como articulação Tibiotársica ou Talocrural. 

Quanto a sua classificação, Miranda (2000) aponta como sendo uma Diartrose Sinovial do tipo Trocleartrose ou Gínglimo (em forma de dobradiça). Sendo na verdade constituída pelas seguintes superfícies articulares: superior do Tálus ou Tróclea, que se articula com a face inferior da Tíbia; a face lateral do Tálus, que se articula com o Maléolo Fibular; e a face medial do Tálus que se articula com o Maléolo Tibial. 

O mesmo texto afirma ainda que esta articulação seja Biaxial (apresentando dois graus de movimento), sendo capaz de realizar os movimentos de Dorsiflexão (elevação da região dos dedos), Flexão Plantar (elevação da região do calcanhar), Eversão (girar a planta do pé par fora) e Inversão (girar a planta do pé para dentro). 

E finalmente são apresentados como elementos de reforço e estabilização articular: a Cápsula Articular e os Ligamentos Medial (com quatro feixes: Tibionavicular, Tibiotalar Anterior, Tibiotalar Posterior e Tibiocalcâneo) e Lateral (com três feixes: Talofibular Anterior, Talofibular Posterior e Calcâneo-fibular).

Descrição do movimento
Posição inicial

O indivíduo se coloca na posição ereta, costas e joelhos estendidos, com a parte anterior do pé (região dos dedos) apoiada sobre um degrau, step ou calço, deixando os pés em posição neutra (voltados para frente) e o tornozelo fazendo uma leve Dorsiflexão (calcanhar pouco abaixo da linha do apoio dos dedos). 

Execução

Eleva-se o calcanhar até a extensão máxima do tornozelo, realizando uma vigorosa Flexão Plantar. Onde a pessoa ficará na ponta dos pés. 

Posição final

Posteriormente deixa-se o calcanhar descer até que atinja a posição inicial.


Plano de execução do exercício
Segundo Campos (2000) este apóia-se sobre o plano Sagital ou Ânteroposterior, sobre um eixo frontal.

Músculos que participam da execução do exercício
Segundo Tesch (2000) os músculos principais deste exercício são: Tríceps Sural (Gastrocnêmio Medial, Gastrocnêmio Lateral, Sóleo) e o Fibular Longo

Miranda (2000) ainda acrescenta o Fibular Curto e o Tibial Posterior como principais, além do Flexor Longo do Hálux e Flexor Longo dos Dedos como auxiliares.

Tipo de alavanca presente na execução do exercício
O tipo de alavanca presente na execução deste exercício é de Terceira Classe ou Interpotente, onde a resistência está representada pelo peso corporal, a força principalmente pela musculatura do gastrocnêmio e o fulcro pela parte do pé apoiada no degrau ou similar.

Observações e curiosidades
• O exercício pode ser realizado com uma perna de cada vez, assim se torna mais intenso, ou simultaneamente com as duas, neste caso preferencialmente por iniciantes. (TESCH, 2000) 

• A Dorsiflexão no início do movimento é indicada para aumentar a relação estabelecida entre força e comprimento. (CAMPOS, 2000) 

• Quando o ângulo entre a tíbia e o pé está exatamente aos 90º ocorre a maior exigência de força no gastrocnêmio e no sóleo. (CAMPOS, 2000) 

• Podem ocorrer variações na sua realização quanto ao posicionamento dos pés, realizando rotação interna ou externa. Podendo assim, aumentar o trabalho sobre a porção lateral ou medial do gastrocnêmio respectivamente. (DELAVIER, 2000) 

• É possível observar que, com a finalidade de elevar sua intensidade, esse exercício pode ser realizado com pesos extras. Tais como barras anilhadas colocadas sobre os trapézios na altura da cervical, caneleiras nos tornozelos, cintura ou punhos e por aparelhos específicos. 

• Este exercício deve ser evitado por pessoas que apresentem encurtamento da panturrilha, joelhos genu-recurvato ou qualquer trauma articular mais severo. (COSSENZA, 1995) 

• O simples fato ligado a realização da caminhada já representa uma forma de exercício para esse grupo muscular, ajudando a manter e a desenvolver sua força. (THOMPSON e FLOYD, 1997) 

• A maior dificuldade encontrada na execução deste movimento é quanto ao seu retorno à posição inicial, onde o iniciante diversas vezes permite que seu corpo desça muito rapidamente forçando uma Hiper-extensão posterior dos tendões, ligamentos e musculatura posterior da perna e tornozelo, podendo predispor o surgimento e desenvolvimento de futuras lesões tendíneas, ligamentares e musculares, juntas ou de maneira isolada.
Referência Bibliográfica

MUSSI, Ricardo Franklin de Freitas; LIMA, Larissa Karla Gomes; GOMES, Marcius de Almeida. Análise cinesiológica de uma série básica de musculação. In: SEMANA DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNEB, 3., 2002, Guanambi. Anais... Guanambi: Universidade do Estado da Bahia, 2002.


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