Série: Análise Cinesiológica da Musculação - Articulação do Joelho

Cinesiologia - Articulação do Joelho

Veja a análise cinesiológica dos exercícios Cadeira Extensora e Mesa Flexora para a Articulação do Joelho

O objetivo desta série é ajudar estudantes, professores e outros interessados a compreenderem a devida importância da cinesiologia no estudo da musculação

Ao adquirir essa compreensão, a obtenção de melhores resultados em relação ao treinamento físico são bem maiores.


Os exercícios foram ordenados de acordo com a principal articulação envolvida.



Para essa série, foram selecionados os seguintes exercícios, por seguimento corporal:


A interpretação e organização das análises estão obedecendo os seguintes critérios: 
  • Uma pequena introdução da articulação e musculatura, seguida da caracterização articular; 
  • Descrição do movimento (posição inicial, execução e posição final); 
  • Plano de apoio e o seu eixo; 
  • Envolvimento dos músculos (principal e secundário); 
  • Análise do sistema de alavancas (considerando a musculatura principal como o ponto de referência de força); 
  • Curiosidades sobre o exercício.
EXERCÍCIOS QUE ENVOLVEM A 
ARTICULAÇÃO DO JOELHO 

O fortalecimento da musculatura das coxas para o ser humano é fundamental, pois estas são possivelmente as principais responsáveis pelo desenvolvimento de atividades simples do cotidiano como, por exemplo, sentar e caminhar. 

Segundo Campos (2000) a falta de estabilidade articular no joelho representa apenas mais um motivo para o fortalecimento desses grupamentos musculares que, consequentemente desencadeará a diminuição dos riscos de lesões ligamentares, ósseas, tendíneas e musculares da região. Campos (2000) ainda faz menção quanto a importante função da articulação e dos seus músculos quanto a absorção de impactos durante caminhadas, saltos e tantos outros movimentos de moderada à grande exigência. 

Desta articulação serão realizadas análises cinesiológicas de dois exercícios:

a) extensão de joelho na Cadeira Extensora; 
b) flexão de joelho na mesa flexora.

Aspectos da articulação do joelho 

Esta articulação, segundo Miranda(2000), é constituída por três outras articulações pequenas, ou superfícies articulares menores, sendo estas: Tibiofemurais Medial, Tibiofemurais Lateral e a Patelofemural. Logo os ossos que a constituem são o fêmur, a tíbia e a patela. 

Ainda é afirmado que as superfícies femorais são Sinoviais, sendo as Tibiofemurais do tipo Condilartrose, em forma de dobradiças, ou tipo Gínglimo e a Patelofemural do tipo Artrodial ou Planartrose, com superfícies planas. 

A articulação do joelho possui os seguintes elementos de reforço e estabilização: Ligamentos Patelar ou Rotuliano, Colaterais Medial ou Tibial, e Lateral, ou Fibular, Cruzados Anterior e Posterior, além dos Meniscos Lateral e Medial. (MIRANDA, 2000) 

Esta articulação é capaz de desenvolver quatro movimentos, que são: a Extensão, a Flexão, Rotação Interna (com o joelho a 30º de flexão) e Rotação Externa (com o joelho em 45º de flexão). (MIRANDA, 2000).



a) Extensão de Joelho na Cadeira Extensora 

Cinesiologia - Cadeira Extensora
Cadeira Extensora

Descrição do movimento 

Posição inicial

O indivíduo se coloca sentado na cadeira, segurando o assento ou barrinha (para estabilizar o tronco), flexiona os joelhos e coloca os pés em posição neutra, colocando o ponto de apoio da máquina sobre o ponto imediatamente superior a articulação do tornozelo (fase concêntrica).

Execução

Inicia-se a elevação dos pés, executando uma extensão próxima da máxima da articulação do joelho, o mais próximo possível da posição horizontal e com ângulo articular de aproximadamente 180º. 

Posição final

Permitir às pernas e os pés retornarem a posição inicial, executando uma flexão do joelho (fase excêntrica).


Plano de execução do exercício 

Em Campos (2000) é possível verificar que este exercício ocorre apoiado no plano Sagital ou Ântero-posterior, sobre um eixo frontal. 


Músculos que participam da execução do exercício 

Segundo Tesch (2000) e Delavier (2000) os músculos principais envolvidos são os Quadríceps (Vasto Medial, Vasto Lateral, Vasto Intermédio e Reto Femoral). Já como grupamentos auxiliares não foram observados consensos, onde Miranda (2000) cita o Tensor da Fáscia Lata e o Glúteo Máximo, já Rodrigues e Carnaval (1999) acrescentam o Sartório. 


Tipo de alavanca presente na execução do exercício 

O tipo de alavanca presente na execução deste exercício é de Terceira Classe ou Interpotente, onde a resistência está representada pelos pés e pernas, o fulcro pela articulação do joelho e a força principalmente pela musculatura Quadríceps. 


Observações e curiosidades 

• Possivelmente este seja o movimento que mais isole o trabalho do quadríceps. (DELAVIER, 2000) 

• Geralmente este exercício é indicado unilateralmente para indivíduos que possuam grande diferença entre os perímetros das coxas e consequentemente de força (RODRIGUES e CARNAVAL, 1999), assim como no caso dos iniciantes. 

• A patela possui a função de distribuir a força pelos Quadríceps, afastando a força do centro de rotação do joelho, aumentado dessa maneira a capacidade de produzir força e torque por esse músculo. (CAMPOS, 2000) 

• O momento de maior resistência, conseqüentemente maior força muscular, ocorre quando o grau de flexão esta entre 45º e 50º. (CAMPOS, 2000)

b) Flexão de Joelho na Mesa Flexora 

Cinesiologia - Mesa Flexora
Mesa Flexora

Os músculos, ossos e articulações que atuam na flexão do joelho possuem algumas obrigações similares as da extensão, como por exemplo, a estabilização da articulação pelo aumento da força muscular, a melhoria na execução de movimentos cotidianos e melhoria na absorção de impactos, além da relação citada por Campos (2000) de que quanto mais forte forem os flexores mais podemos fortalecer os extensores da coxa. 


Descrição do movimento 

Posição inicial
O praticante deita-se em decúbito ventral sobre o aparelho, com os joelhos estendidos e o ponto imediatamente superior a articulação dos tornozelos sob o apoio (fase concêntrica).

Execução
Com as coxas e o abdômen fixados no aparelho, deve ser realizada a flexão dos joelhos a partir da elevação dos calcanhares ao máximo possível, ficando o mais próximo possível da região dos glúteos. 

Posição final
Deixamos que as pernas se estiquem, fazendo a extensão do joelho e o afastamento dos pés em relação a região dos glúteos, até voltarem a posição inicial (fase excêntrica).


Plano de execução do exercício 

Em Campos (2000) é possível verificar que este exercício ocorre apoiado no plano Sagital ou Ântero-posterior, sobre um eixo frontal. 


Músculos que participam da execução do exercício 

Apesar da análise de Tesch (2000) apresentar os músculos Semitendinoso, Bíceps Femoral, Sartório e Grácil como principais na execução do movimento, mesmo assim, moderadamente, Delavier (2000) e Campos (2000) acreditam que esse exercício seja responsável por grande e intenso envolvimento muscular dos Isquiotibiais (constituído pelos Semitendinoso, Semimembranoso e Bíceps Femoral).
E são citados como músculos acessórios os seguintes grupamentos: Sartório, Grácil, Gastrocnêmio, Poplíteo e o Plantar Delgado. 


Tipo de alavanca presente na execução do exercício 

O tipo de alavanca presente na execução deste exercício é de Terceira Classe ou Interpotente, onde a resistência esta representada pela perna, o fulcro pela articulação do joelho e a força principalmente pelas musculaturas Isquiotibiais. 


Observações e curiosidades 

• Este exercício pode ser executado com apenas uma ou com as duas pernas, respectivamente para iniciantes ou lesionados e praticantes avançados ou condicionados. (RODRIGUES & CARNAVAL, 1999) 

• Delavier (2000), afirma que com os tornozelos estendidos, em Flexão Plantar, durante toda execução do exercício, é viável que se obtenha maior predominância de trabalho sobre os músculos posteriores da coxa, enquanto que com a Dorsiflexão dos tornozelos o trabalho também é intensificado no Gastrocnêmio. 

• Este exercício atinge o maior grau de trabalho isolado sobre os Isquiotibiais. (CAMPOS, 2000) 

• O momento de maior resistência, com maior força executada pela musculatura, ocorre quando o fêmur e a tíbia formam um ângulo de 90º. (CAMPOS, 2000) 

• Quando no momento da Flexão de Joelho ou elevação da perna no sentido dos glúteos, o praticante deve ficar atento para a não realização de uma postura Hiperlordótica, sendo essa prejudicial para a coluna lombar, podendo gerar dores, como lombalgias agudas ou crônicas, e lesões, além de herniações.

Referência Bibliográfica:

MUSSI, Ricardo Franklin de Freitas; LIMA, Larissa Karla Gomes; GOMES, Marcius de Almeida. Análise cinesiológica de uma série básica de musculação. In: SEMANA DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNEB, 3., 2002, Guanambi. Anais... Guanambi: Universidade do Estado da Bahia, 2002.

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