Série: Análise Cinesiológica da Musculação - Articulações do Cotovelo e do Ombro

Cinesiologia - Exercícios que envolvem as Articulações do Cotovelo e do Ombro

Veja a análise cinesiológica dos exercícios Voador Peitoral e Puxada por Trás para as Articulações do Cotovelo e do Ombro

O objetivo desta série é ajudar estudantes, professores e outros interessados a compreenderem a devida importância da cinesiologia no estudo da musculação

Ao adquirir essa compreensão, a obtenção de melhores resultados em relação ao treinamento físico são bem maiores.

Os exercícios foram ordenados de acordo com a principal articulação envolvida.


Para essa série, foram selecionados os seguintes exercícios, por seguimento corporal:

A interpretação e organização das análises estão obedecendo os seguintes critérios: 
  • Uma pequena introdução da articulação e musculatura, seguida da caracterização articular; 
  • Descrição do movimento (posição inicial, execução e posição final); 
  • Plano de apoio e o seu eixo; 
  • Envolvimento dos músculos (principal e secundário); 
  • Análise do sistema de alavancas (considerando a musculatura principal como o ponto de referência de força); 
  • Curiosidades sobre o exercício.

EXERCÍCIOS QUE ENVOLVEM AS ARTICULAÇÕES E MUSCULATURAS DO COTOVELO E COMPLEXO DO OMBRO

Estes exercícios são assim classificados devido ao fato de que apesar dos músculos principais serem os anteriores, principalmente os Peitorais, e os posteriores, primordialmente os Dorsais, do tronco em recrutamento, o movimento ocorre mobilizando as articulações do Ombro e do Cotovelo.

Dentre os inúmeros exercícios que envolvem o conjunto de articulações desta seção ocorreu a opção pela análise dos seguintes exercícios: 

a) Voador Peitoral
b) Puxada por trás no aparelho

Aspectos da articulação

Estes pontos já foram detalhados anteriormente, no momento dos exercícios para o Ombro e para o Cotovelo, isoladamente. Por esse motivo não serão citados novamente.

a) Voador Peitoral

Cinesiologia - Voador Peitoral (Crucifixo Peck Deck)

Descrição do movimento

Posição inicial 

Sentado com o dorso apoiado sobre o encosto do banco, com os cotovelos flexionados a 90º, ombros abduzidos do tronco, também a aproximadamente 90º, os glúteos, a cabeça e a coluna devem estar apoiados. Os joelhos também devem estar flexionados a 90º, assim como o quadril e com os pés totalmente apoiados no chão ou em um apoio específico para estes.

Execução

Faz-se uma Adução Horizontal dos ombros até que eles se aproximem o máximo possível da Linha Mediana.

Posição final

Na mesma velocidade em que foi executada a Adução, deve ser permitido que seja efetuada uma Abdução até que se atinja a posição inicial.


Plano de execução do exercício

Campos (2000) afirma que este exercício é realizado no Plano Transverso ou Horizontal e sobre o eixo Longitudinal ou Vertical, porque a articulação realiza uma Adução Transversa na fase concêntrica e uma Abdução Transversal na fase excêntrica.


Músculos que participam da execução do exercício

Segundo Delavier (2000) este exercício trabalha todo o Peitoral Maior, desenvolvendo também o Coracobraquial, e a Cabeça Curta do Bíceps Braquial, podendo perceber inclusive o recrutamento auxiliar do Deltóide Anterior.


Tipo de alavanca presente na execução do exercício

Em sua execução é possível visualizar uma alavanca de Primeira Classe ou Interfixa, representando a resistência pela região do Cotovelo e Antebraço, o fulcro pela articulação do Ombro e a força principalmente pela musculatura do Peitoral Maior.


Observações e curiosidades
  • Ele permite nas repetições longas a obtenção de uma congestão intensa dos músculos. (DELAVIER, 2000)
  • É recomendado para iniciantes, pois permite a aquisição de força o suficiente para passar, em seguida, aos movimentos mais complexos. (DELAVIER, 2000)
  • Este exercício deve ser evitado por pessoas que apresentem Luxações no Ombro, Hipercifose Torácica, Protração de Ombros e Quadro Doloroso das partes moles do corpo. (COSSENZA, 1995)
  • O grande problema prático é quanto à fabricação da aparelhagem que deveria ser regulável em todos os seus pontos, o que geralmente só ocorre quanto ao banco, esquecendo-se do apoio para os cotovelos. Dessa maneira, aquelas pessoas de braços mais curtos podem ser privadas da pratica desse exercício, e as de braços mais longos não atingem o máximo do recrutamento muscular, devido ao pequeno braço de resistência formado entre o Ombro e o apoio que acaba ficando no meio do braço e não no cotovelo.

b) Puxada por Trás no Aparelho


Descrição do movimento

Posição inicial
O praticante irá se posicionar sentado, com os joelhos e quadril flexionados a 90º em relação a posição anatômica, com as nádegas apoiadas sobre o banco,. Então deverá segurar a barra com os Antebraços Pronados, de tal maneira que os cotovelos fiquem estendidos e os ombros abduzidos a mais de 150º.

Execução
Deve ser realizada uma flexão dos cotovelos e adução dos ombros até que a barra atinja a altura da coluna cervical.

Posição final
Finalmente é realizada a extensão dos cotovelos e quanto aos ombros ocorre uma abdução até que atinjam a posição inicial.


Plano de execução do exercício

Apesar de ocorrer uma flexão e uma extensão do cotovelo, elas não ocorrem no Plano Sagital, isso devido ao deslocamento do Ombro que se encontra em uma Adução Horizontal de 180º em relação ao plano anatômico.

Dessa maneira, o plano de execução da Puxada por Trás no Puxador é o da Abdução do Ombro, ou seja, no plano Frontal ou Coronal ou Lateral, apoiado no eixo Sagital.


Músculos que participam da execução do exercício

Assim como no exercício anterior as literaturas atuais não dividem as atuações dos grupos musculares em principais e auxiliares, com profundidade e clareza. Dessa maneira, serão relatados aqui os grupos que atuam na execução do exercício.

Delavier (2000) afirma que os músculos atuantes neste exercício são: o Grande Dorsal (tanto as Fibras Externas como as Inferiores), o Redondo Maior, o Bíceps Braquial, o Braquial, o Braquiorradial, o Romboide e o Trapézio.

No entanto, Rodrigues e Carnaval (1999) ainda fazem alusão a musculatura Peitoral Maior (nas suas Porções Esternal, Subclávio e Peitoral Menor).


Tipo de alavanca presente na execução do exercício

Neste exercício estão presentes duas alavancas, ambas de Primeira Classe, uma com fulcro no Cotovelo e outra com fulcro na Cavidade Glenóide.

Na primeira, a resistência está presente no Antebraço, o fulcro na articulação do Cotovelo e a execução da força está principalmente no músculo Bíceps Braquial. Na outra, a resistência está presente no braço, o fulcro está na Cavidade Glenóide e a força está sendo executada principalmente pelo músculo Grande Dorsal.


Observações e curiosidades
  • Rodrigues e Carnaval (1999) dizem que esse exercício também pode ser realizado de joelhos, recomendando que o indivíduo o realize sentado, evitando assim que se faça uma curvatura com o quadril, criando uma concentração de força na região da coluna lombar, o que contra-indica esse movimento para indivíduos Hiper lordóticos.
  • Delavier (2000) afirma que este seja um ótimo exercício para desenvolver as Costas em largura, e que são importantes para prepararem os alunos para posteriormente poderem realizar exercícios na barra fixa.
  • O maior braço de resistência acontece quando os Braços estão paralelos ao solo. (CAMPOS, 2000)
  • Campos (2000) afirma que os movimentos da escápula que acompanham o Ombro, na fase concêntrica do exercício são: a Rotação Inferior e a Adução.
  • Este movimento deve ser evitado por pessoas que apresentem Luxações e dores no Ombro e Cotovelo. (COSSENZA, 1995)
  • Tratando agora da aparelhagem disponível no mercado, o maior problema incorre no posicionamento da polia, que geralmente lança o cabo sobre as cabeças dos praticantes, o que os obriga a praticar uma postura de leve flexão do quadril. Ou seja, a pessoa acaba por curvar a Coluna para a frente, ou ainda é possível identificar casos em que os indivíduos forçam uma Cifose Torácica. 
  • E finalmente há também certa incidência de casos que apresentam uma hiper lordose. Todos os casos são gerados apenas por que o cabo deveria se localizar em tal posição que a pessoa se sentaria e este, durante a prática do movimento, deveria descer logo atrás de sua nuca, sem que tivessem de executar nenhuma adaptação em sua postura.
Referência Bibliográfica

MUSSI, Ricardo Franklin de Freitas; LIMA, Larissa Karla Gomes; GOMES, Marcius de Almeida. Análise cinesiológica de uma série básica de musculação. In: SEMANA DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNEB, 3., 2002, Guanambi. Anais... Guanambi: Universidade do Estado da Bahia, 2002.

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