Cadeira Extensora - Análise Cinesiológica

Cadeira Extensora - Análise Cinesiológica
Confira nesta matéria uma análise completa do exercício Cadeira Extensora.

Descrição do movimento 

Posição inicial: o indivíduo se coloca sentado na cadeira, segurando o assento ou barrinha (para estabilizar o tronco), flexiona os joelhos e coloca os pés em posição neutra, colocando o ponto de apoio da máquina sobre o ponto imediatamente superior a articulação do tornozelo (fase concêntrica).

Execução: inicia-se a elevação dos pés, executando uma extensão próxima da máxima da articulação do joelho, o mais próximo possível da posição horizontal e com ângulo articular de aproximadamente 180º. 

Posição final: permitir às pernas e os pés retornarem a posição inicial, executando uma flexão do joelho (fase excêntrica).



Plano de execução do exercício 

Em Campos (2000) é possível verificar que este exercício ocorre apoiado no plano Sagital ou Ântero-posterior, sobre um eixo frontal. 

Músculos que participam da execução do exercício 

Segundo Tesch (2000) e Delavier (2000) os músculos principais envolvidos são os Quadríceps (Vasto Medial, Vasto Lateral, Vasto Intermédio e Reto Femoral). Destes quatro músculos, o Reto Femoral é o único bi-articular e, portanto, realiza a extensão de joelho, flexão de quadril e anteversão da pelve. Os outros três são mono articulares e realizam apenas a extensão de joelho. Já como grupamentos auxiliares não foram observados consensos, onde Miranda (2000) cita o Tensor da Fáscia Lata e o Glúteo Máximo, já Rodrigues e Carnaval (1999) acrescentam o Sartório. 

Tipo de alavanca presente na execução do exercício 

O tipo de alavanca presente na execução deste exercício é de Terceira Classe ou Interpotente, onde a resistência está representada pelos pés e pernas, o fulcro pela articulação do joelho e a força principalmente pela musculatura Quadríceps. 

Observações e curiosidades 

► Possivelmente este seja o movimento que mais isole o trabalho do quadríceps. (DELAVIER, 2000) 

► Geralmente este exercício é indicado unilateralmente para indivíduos que possuam grande diferença entre os perímetros das coxas e consequentemente de força (RODRIGUES e CARNAVAL, 1999), assim como no caso dos iniciantes. 

► A patela tem a função de polia anatômica que mantém a linha de ação do quadríceps um pouco mais longe do centro de rotação do joelho, aumentando, assim, o braço de momento do músculo e sua capacidade de produzir torque. Contudo, quando a patela aumenta o componente rotatório (para rodar a tíbia sobre o fêmur neste exercício), há também um aumento do componente translatório, que tende a deslizar a tíbia anteriormente. O ligamento cruzado anterior (LCA) previne o deslizamento anterior da tíbia neste momento. Assim, a integridade do LCA é fundamental para a estabilidade da articulação do joelho durante este exercício

► O momento de maior resistência, conseqüentemente maior força muscular, ocorre quando o grau de flexão esta entre 45º e 50º. (CAMPOS, 2000)

 O apoio das costas deve ser um pouco inclinado, para que o executante possa realizar uma ligeira extensão do quadril, o que favorece a ação do músculo reto femoral (principalmente no final da extensão), por causa da relação força-comprimento. Se o quadril é mantido a 90° durante toda a execução do movimento, o reto femoral atinge uma insuficiência ativa nos últimos graus da extensão (por estar encurtado no quadril e realizando a extensão de joelho). Neste caso, os vastos (medial, lateral e intermédio) é que conseguem realizar o maior torque do final da extensão ou o reto femoral recrutará um número muito maior de unidades motoras para conseguir realizar o movimento com eficiência



► Quando o aparelho de extensão do joelho não possui um apoio para as costas, o risco de lesão da região lombar aumenta significativamente. Nesta situação, quando o executante está no final de uma série e quase atingindo uma falha concêntrica, o movimento mais natural é jogar a coluna para trás na intenção de estender o quadril e diminuir a insuficiência ativa do reto femoral (melhorando a relação força-comprimento), para que este músculo possa participar com eficiência da extensão de joelho. Porém, quando o indivíduo joga a coluna para trás e realiza, ao mesmo tempo, a extensão de joelho, a pelve (origem do reto femural) se fixa, para que o reto femoral atue com eficiência no joelho. Com a pelve fixa, o quadril não estende e somente a coluna lombar continua no sentido da extensão, ficando hiperestendida, o que aumenta o risco de lesão desta região da coluna

► Se o executante não possuir muita flexibilidade, como é o caso da maioria dos iniciantes, o exercício não será realizado na maior amplitude de movimento permitida pelo aparelho, por causa de uma insuficiência passiva dos isquiotibiais que, por já estarem alongados no quadril, impedem a completa extensão de joelho. Este é mais um motivo para que o encosto das costas seja um pouco inclinado, pois mantém um pouco de extensão do quadril, diminuindo a insuficiência passiva dos isquiotibiais na extensão de joelho

► Se o executante realizar uma flexão dorsal do tornozelo durante a extensão de joelho, o músculo gastrocnêmio pode ter uma insuficiência passiva e impedir a completa extensão de joelho


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Os alongamentos para gastrocnêmio e isquiotibiais devem ser enfatizados, principalmente para os iniciantes, para diminuir a insuficiência passiva destes músculos durante a extensão de joelho

► Apesar do quadríceps realizar uma contração mais eficiente quando parte de uma posição mais alongada (por causa da relação força-comprimento), o começo do exercício com um ângulo menor que 90° é prejudicial à articulação do joelho, porque, nesta posição, o quadríceps pressiona fortemente a patela contra os côndilos do fêmur. O ideal é realizar o movimento partindo de 90° de flexão, principalmente com sobrecargas mais altas, para evitar lesões da articulação patelo-femural. A diminuição do braço de momento e da relação força-comprimento do quadríceps nos últimos 15° da extensão do joelho coloca o quadríceps em desvantagem mecânica e fisiológica. Um aumento de mais ou menos 60% da força do quadríceps é necessário nesta fase da extensão

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