Biomecânica da Corrida e Prevenção de Lesões


Biomecânica da Corrida e Prevenção de Lesões

Por Dr. Cristiano Frota de Souza Laurino. (Site NósAmamosAtletismo) 07 de agosto de 2012

A corrida pode ser considerada, dentro de uma visão simplista, uma série de pequenos saltos de um pé para o outro que se repete por alguns metros a vários quilômetros. 

Durante cada aterrissagem do pé no solo o corredor fica exposto a forças de impacto repetidas estimadas em duas a três vezes o seu próprio peso corporal. Aplicando este fato a um corredor de 70 kg de peso, que realiza durante a corrida uma média de 250 aterrissagens por pé por quilômetro percorrido, durante um quilômetro cada pé irá suportar 38 a 57 toneladas de força.



Corredores com média de 60 a 120 km/sem podem expor seu corpo à aproximadamente 16.000 a 32.000 impactos por perna por semana, o equivalente a 2.400 a 7.200 toneladas de força.

Incrível! Como podemos fazer isto? 
Que máquina perfeita é esta que não só suporta tamanha carga, mas ao mesmo tempo executa o movimento com suavidade? 
Esta é uma máquina capaz de aprender o movimento, aperfeiçoar seu funcionamento e melhorar seu rendimento.

Este volume de estresse é impressionante para os membros inferiores, o que nos desperta dúvidas sobre a resistência desta “máquina” e a durabilidade de suas “peças”. Nossa “máquina corporal” tem peças vivas com capacidades variáveis de reparação e de regeneração.


A biomecânica da corrida é complexa e compõe de muitas variáveis mecânicas capazes de explicar como o corpo consegue administrar tamanho estresse. A posição do pé na aterrissagem da corrida, o comprimento e freqüência das passadas, os ângulos de flexão do joelho durante a fase de apoio (contato do pé no solo) e a posição das articulações do pé e tornozelo são alguns dos exemplos destas variáveis.

Cada uma destas variáveis tem seu valor nas forças que agem sobre o corpo durante a corrida. Qualquer mudança na aplicação destas variáveis mecânicas resultará na modificação das forças de reação do solo sobre o organismo, acarretando mudanças na corrida.

Devemos lembrar que alguns movimentos são próprios do ser humano, mas devem ser aprendidos e aperfeiçoados para um melhor rendimento, evitando complicações a médio e longo prazo.

A técnica interfere na forma do movimento e o modifica para cada objetivo traçado. Um corredor de longa distância não suportaria correr uma maratona apoiando apenas nos dedos dos pés e teria conseqüências desastrosas para seus tendões e articulações. Da mesma forma, um corredor de velocidade jamais atingiria sua velocidade máxima realizando uma corrida com apoios dos pés semelhantes a um maratonista.

O que nos espera no futuro próximo com os avanços dos estudos em biomecânica aliada à fisiopatologia das lesões (origem e funcionamento das lesões) é uma melhor compreensão dos movimentos humanos nas condições reais, assim como das capacidades de suportar e administrar cargas durante a vida.

A visão do corredor e de quem estuda os aspectos envolvidos nas ciências da corrida deve ser ampla, mas criteriosa. Observe melhor a sua corrida, melhore sua técnica e corrija sempre seus erros.

Boa corrida !


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