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07 fevereiro 2018

Condromalácia Patelar - Treinamento de Força para essa patologia

Condromalácia Patelar

Muitas pessoas começam a frequentar academias através de recomendação médica por sofrerem de Condromalácia Patelar. Visto que, tanto esses frequentadores, quanto muitos profissionais da área não compreenderem muito esse assunto, venho escrever essa matéria fazendo a revisão de um artigo científico muito interessante que encontrei na internet.

Se você quiser ler o artigo científico na íntegra, no final da matéria estará disponibilizado o link.

Para começar, o que é a Condromalácia Patelar?

É uma lesão na cartilagem articular da patela (veja na imagem acima) devido ao excesso de atrito entre a patela e o fêmur. Essa patologia ocorre por vários motivos, mas principalmente pelo mau alinhamento da patela, devido à assimetria de força dos músculos vasto medial e vasto lateral.

Movimento da Patela

A patela se desloca constantemente nos movimentos ativos do joelho, movimentando-se em um padrão com um formato de "C" entre os côndilos femorais. A somatória das forças entre os vastos (medial e lateral) provoca uma resultante direcionada para a parte superior da coxa. Quando há o desequilíbrio dessas forças, ocorrem modificações no posicionamento da patela e, então, a patela movimenta-se fora do seu padrão entre os côndilos e a cartilagem entra em contato com o osso do fêmur, desgastando-a. Com isso, faz-se necessário um fortalecimento do músculo que está em desequilíbrio, a fim de melhorar essa disfunção.

Dor Femoropatelar

A dor femoropatelar acontece com muita frequência e a causa dessa lesão pode ser decorrente de alterações biomecânicas:
- aumento do ângulo Q
- uso excessivo da articulação
- aumento da pressão patelofemoral
- encurtamento dos músculos ísquios tibiais
- fatores genéticos, como rotação lateral da tíbia, patela alta, comprimento da banda ílio tibial (que é mais frequente em mulheres)
- desequilíbrio muscular

Muitos profissionais associam a dor femoropatelar para diagnosticar a condromalácia, mas Mello (2006) afirma que a associação dessas causas é que pode levar alguém a desenvolver essa patologia; portanto, a dor femoropatelar não é diagnóstico para a condromalácia, mas uma das consequências. O diagnóstico deve ser dado através da ressonância magnética.

Fortalecimento Muscular

Geralmente o tratamento é conservador e não reverterá o quadro de lesão, mas ocorrerão melhoras na função do joelho e diminuição da dor (Fulkerson, 2000). Mello (2006) diz que o joelho tem a função de absorver e direcionar força ao membro inferior e, por isso, o tratamento precisa ser funcional. 

Primeiramente são realizados programas de fisioterapia convencional (crioterapia, etc), eficientes na fase de edema e muita dor. O passo seguinte é a melhora da função do joelho, que pode ser alcançada através de exercícios de fisioterapia e, logo depois, o fortalecimento muscular. Um grande problema é a dificuldade que as pessoas tem em manter a atividade física ao longo da vida, podendo, então, voltar a apresentar os sintomas.

Mello (2006) afirma que um dos objetivos para melhorar os sintomas de dor é a diminuição da força de contato entre a patela e o fêmur, que varia entre os exercícios de cadeia cinética aberta e fechada.

Cadeia Cinética
Imagem retirada do site Corpo Consciente

  • Cadeia Cinética Aberta
É caracterizada por exercícios com objetivo de trabalhar um determinado músculo com o segmento distal livre. Nesses exercícios a força é maior na flexão de 90º até 0º na extensão, porque o centro de gravidade está à frente do joelho e, nestes ângulos, a área de contato entre a patela e o fêmur diminui. Até 30º o ângulo de força é muito pequeno e não gera estresse alto na articulação femoropatelar. Portanto, para indivíduos com condromalácia, deve ser utilizado exercícios em cadeia cinética aberta entre 0º e 15º e 50º e 90º. A pressão máxima está em torno de 35º e 45º, onde a angulação é maior (Andrews, 2000).
  • Cadeia Cinética Fechada
O exercício de cadeia cinética fechada existe quando o segmento distal está fixo, como levantar de uma cadeira, subir e descer escadas que, por sua vez, torna-se mais funcional para as pessoas.
Haupenthal (2006) afirma que nesses exercícios a força aumenta de 0º a 90º, pois o centro de gravidade está atrás do joelho. O aumento da força é aumentado de acordo com a área de contato até 60º e, a partir deste ângulo, a área de contato aumenta bastante, mas não trás prejuízos em joelhos saudáveis. Nesse tipo de exercício ocorre co-contração dos ísquios tibiais.

Segundo Eisenhart (2004), a partir do ângulo de 60º, a co-contração faz com que a tíbia movimente-se posteriormente e rode para a parte lateral, aumentando a pressão na patela. 
Para indivíduos com condromalácia devem ser feitos até próximo de 50º, para evitar as alterações citadas. Belleman (2003) diz que o joelho sem lesão é adaptado para a pressão máxima entre a patela e o fêmur em 90º, pois é a partir deste ponto que a cartilagem é mais espessa.

Muitos profissionais buscam o recrutamento mais seletivo do músculo vasto medial, a fim de ter um melhor êxito no tratamento e ainda existem controvérsias em relação ao exercício mais vantajoso para fortalecê-lo desta forma.

Segundo Popelas (2005) para o recrutamento seletivo do vasto medial, há diferenças entre os exercícios de cadeia cinética fechada dependendo do ângulo de flexão. Para cadeia cinética fechada, o ângulo deve ser em até 50º de flexão (além do estresse femoropatelar ser menor); em cadeia cinética aberta, deve ser feito exercícios com angulação a partir de 50º de extensão.

Bakhtiary (2008) afirma que exercícios em cadeia cinética fechada são mais eficientes no tratamento para pessoas com condromalácia patelar, pois são exercícios mais funcionais e mais fáceis de utilizar, tendo em vista que o estresse femoropatelar em exercícios de cadeia cinética aberta é muito grande no "meio" do movimento, necessitando de outra pessoa para ajudar.

Conclusão do Autor

Segundo os estudos eletromiográficos, conclui-se, que exercícios em cadeia cinética aberta com ângulo de extensão a partir de 50º, assim como exercícios em cadeia cinética fechada com ângulo de flexão até 50º são mais eficientes para a ativação seletiva do músculo vasto medial oblíquo e, consequentemente, são os melhores métodos para o treinamento de força para pessoas com condromalácia patelar. Mas cabe ao professor fazer as modificações necessárias de acordo com a resposta do aluno, a fim de obter os melhores resultados, procurando sempre ajudar para que o joelho lesionado retorne ao padrão funcional de movimento.

Referência Bibliográfica

CARVALHO, R.B. Treinamento de força para pessoas com condromalácia patelar. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Ano 18, Nº 185, Outubro de 2013. Acessado em 23 de novembro de 2014. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd185/treinamento-de-forca-com-condromalacia-patelar.htm


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