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05 abril 2016

Série: Análise Cinesiológica da Musculação - Articulação do Ombro


Cinesiologia - Articulação do Ombro

Dando sequência a série sobre Análise Cinesiológica, abordarei agora os exercícios que envolvem a articulação do ombro. Boa leitura!


EXERCÍCIOS QUE ENVOLVEM A 
ARTICULAÇÃO DO OMBRO 

A articulação a ser estudada é capaz de realizar os mesmos movimentos da articulação do quadril, sendo que estes acontecem entre a Cabeça do Úmero e a Cavidade Glenóide da Escápula e, em alguns casos, ainda utilizam a articulação Acromiclavicular. (CAMPOS, 2000).

As características mais importantes da articulação Escápulo-umeral são, segundo Campos (2000), as seguintes: ligar o Esqueleto Apendicular Superior ao Esqueleto Axial e aumentar o campo de atuação das mãos. 

O fortalecimento dessa musculatura auxilia, facilitando, na execução de atividades cotidianas, especificamente em momentos que requeiram a sustentação dos braços afastados do tronco. Como por exemplo, no momento da troca de uma lâmpada no teto. 

Desta articulação será realizada a análise cinesiológica do seguinte exercício:
elevação lateral

Aspectos da articulação 

Tratando do complexo do ombro é possível apontar o Cíngulo do Membro Superior que é constituído, segundo Grabiner In Rasch (1991), por duas Clavículas, duas Escápulas e o Esterno. Ele ainda afirma que o conjunto Glenoumeral é constituído pela cabeça do Úmero, hemisférica, e cavidade glenóide, relativamente rasa na lateral escapular. 

Agora sobre a Articulação do Ombro ou Escápulo-umeral, é possível afirmar que esta se classifica como uma Diartrose Sinovial, do tipo esferóide ou Condiloidal, com três graus de liberdade de movimento ou Triaxial. Possuindo os seguintes movimentos: Flexão, Extensão, Abdução, Adução, Rotação Interna, Rotação Externa, Adução Horizontal, Abdução Horizontal e Circundação. Além de possuir os seguintes elementos de reforço ou estabilização articular: Cápsula Articular Fibrosa, Orla Glenoidal, os Ligamentos Glenoumerais (Superior, Médio e Inferior), o Ligamento Coracoumeral e Ligamento Transverso do Úmero. (MIRANDA, 2000) 

Elevação Lateral
elevação lateral

Descrição do movimento 

Posição inicial: o aluno se coloca em pé, com os pés afastados aproximadamente na largura dos ombros, joelhos com um pequeno grau de flexão, as costas eretas, os braços lateralmente ao corpo e com pequena flexão dos cotovelos. 

Execução: com a elevação dos braços até a altura do pescoço (alunos iniciantes) ou faz-se uma elevação completa (alunos avançados), ocorre o afastamento da linha mediana. 

Posição final: agora basta que se permita que os braços desçam até que seja atingida a posição inicial. 

Plano de execução do exercício 

Campos (2000) afirma que a abdução de ombro é um movimento realizado no plano Coronal ou Frontal ou Lateral, sobre um eixo sagital. 

Músculos que participam da execução do exercício 

Segundo Miranda (2000) o envolvimento muscular na execução deste exercício ocorre da seguinte maneira: até os 90º há um grande envolvimento dos músculos Supra-espinhoso e Deltóide, dos 90º aos 150º ocorre também o recrutamento do Trapézio e do Serrátil Anterior, após os 150º até os 180º devem ser incluídos os Paravertebrais do lado oposto. Além, de em todos os casos ocorrer recrutamento moderado do Peitoral Maior, no Feixe Clavicular, e do Bíceps Braquial, em sua Porção Longa. 

Tipo de alavanca presente na execução do exercício 

Esta alavanca é Terceira Classe ou Interpotente, onde a resistência é representada pelo Antebraço, a força é executada pela musculatura da parte superior do Úmero e o fulcro esta na Cavidade Glenóide. 

Observações e curiosidades 

• O maior braço de resistência ocorre no momento em que o braço fica paralelo ao solo. (CAMPOS, 2000) 

• A elevação lateral dos braços deve ser realizada por iniciantes, porque fortalece o músculo Supra-espinhal, que faz parte do Manguito Rotador, aumentando a estabilidade articular. (CAMPOS, 2000) 

• Os fatores influenciadores na segurança do exercício além dos 90º são: a eficiência do ritmo Escápulo-umeral, a integridade do espaço articular e a deficiência do Manguito Rotador, e como estas três situações não podem ser avaliadas subjetivamente, o ideal é que o movimento pare na altura do ombro. (THOMPSON e FLOYD, 1997) 

• Os exercícios para a musculatura do ombro são contra-indicados ou devem ser evitados nos seguintes casos: quando existe Síndrome Dolorosa do Ombro, contratura muscular do Trapézio ou dos Escalenos, e Mega-apófise da região cervical. (CONSSENZA, 1998) 

• O Manguito Rotador é composto pelos seguintes músculos: Subescapular, Supra-espinhoso, Infra-espinhoso e Redondo menor. (GRABINER in RASCH, 1991; THOMPSON e FLOYD, 1997) 

• A pouca profundidade da Fossa Glenóide, a frouxidão das estruturas ligamentares e a pouca força e resistência muscular são alguns fatores que contribuem para as freqüentes lesões da articulação do ombro. (THOMPSON e FLOYD, 1997) 

• Os pontos de inserção dos músculos do Manguito Rotador (frente, topo, atrás da cabeça do Úmero) é que possibilitam o giro do úmero. (THOMPSON e FLOYD, 1997) 

• A experiência mostra que a maior incidência de lesões nesta articulação ocorre em nadadores e jogadores de vôlei, isso devido à grande quantidade de gestos repetidos e intensos realizados, daí a importância que esses profissionais realizem exercícios específicos de prevenção e fortalecimento da musculatura em questão. 

Referência Bibliográfica:
MUSSI, Ricardo Franklin de Freitas; LIMA, Larissa Karla Gomes; GOMES, Marcius de Almeida. Análise cinesiológica de uma série básica de musculação. In: SEMANA DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNEB, 3., 2002, Guanambi. Anais... Guanambi: Universidade do Estado da Bahia, 2002.


Agora falta só o conjunto da Articulação do Ombro com a Articulação do Cotovelo para se fechar essa série. Aguarde!!!

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